
Palavra do Mês
A palavra da Aliança de Misericórdia de Junho
A palavra da Aliança de Misericórdia de Junho
“À mesa, ele tomou o pão e abençoou-o” (Lc 24,30)
Os dois discípulos de Emaús pediram para Jesus permanecer com eles aquela noite. Ao redor da mesa, na benção do pão, o reconheceram!
Jesus se revela a nós na mesa eucarística, na fração do pão. Os vers. 30-32 do cap. 24 de Lucas dão uma chave para podermos viver ainda mais unidos, para termos Jesus no meio de nós. O pleno conhecimento d’Ele, o reconhecê-Lo no meio de nós, acontece quando com Ele condividimos o pão do amor, da fraternidade, das fraquezas, dos limites, da comunhão. É interessante constatar como nos Evangelhos, nas “mesas eucarísticas”, Jesus mostra-nos, nos vários momentos de sua vida, o modo como nos devemos relacionar entre nós e com o mundo.
Jesus, em sua vida terrena, na Palestina, participou e manifestou na mesa como, entre nós, devemos viver. À mesa, Ele expõe o seu amor e a sua misericórdia. Muitos momentos de evangelização acontecem ao redor da mesa. Ele está com os publicanos e pecadores (Lc 5, 27), come com eles, participa do dia-a-dia da vida deles. Parece que quer nos dizer que a vida de comunhão deve acontecer sem reservas e medos dos nossos defeitos, limites e fraquezas.
Ainda está ao redor da mesa, na casa de um fariseu, quando uma prostituta entra e derrama sobre Ele o perfume de alabastro. E diz a ela que seus inúmeros pecados lhe são perdoados. Jesus, num jantar, mostra que devemos acolher-nos além dos nossos pecados, por quanto sejam graves e pesados.
Ele também nos fala de um pai que, depois de tantos anos de espera, reencontra o filho perdido e faz logo uma ceia. Encontra-se com o filho pródigo ao redor de uma mesa. Ele mesmo faz matar o novilho mais gordo, faz uma festa, para este filho como também para o mais velho, que não quer entrar na casa. Para Jesus, não importa o grau de separação, o nível do pecado entre irmãos, filhos. Ele vai além das suas divisões e incompreensões. Por quanto entre os irmãos possam existir anos e anos de lutas, rivalidades, mágoas, incompreensões, Jesus nos ensina que devemos ir além, fazendo prevalecer a misericórdia e a escuta, dando aos outros não só uma chance para se resgatarem, mas Setenta vezes sete chances. Como não lembrar, enfim, da última ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Ele estava com os seus apóstolos ao redor da mesa, na ceia pascal. Ele lhes fala, e a nós, que tinha esperado aquele momento (na ceia, na mesa). “Ardentemente desejei viver este momento com vocês. (cf. Lc 22, 15)
Creio que devemos ter cuidado e dar muita atenção a este advérbio: “ardentemente”. Ele estava dando tudo de si: sua felicidade era intensa, viva, ardente! É interessante constatar, porém, que ao instituir a Eucaristia Ele também diz que um deles o trairá. Como não refletir que devemos ir além das traições, das acusações, das brigas entre nós, para nos amarmos como Ele nos amou: até o fim, até a morte, e morte de cruz.
Enfim, os discípulos de Emaús estavam fracos, cansados, desiludidos, sem esperança, cegos, com medo. São atitudes que, por vários motivos e em vários momentos e situações, às vezes vivemos, porque olhamos mais para o nosso egoísmo e soberba, permanecendo fechados na tristeza e nas lutas entre nós. E isto permanece enquanto quisermos, de todo jeito, ter e permanecer nas nossas idéias e razões, sem querer escutar, com paciência e amor ilimitados, o outro.
Jesus nos ensina o modo de sair de tudo isso: viver da Eucaristia, na Eucaristia, sendo eucaristia para os outros. Significa dar a vida, até o fim, para o outro; até a morte, para ter, sempre, Jesus no meio de nós. A Eucaristia é, para nós, fonte de vida, de reflexão, método e único caminho para n’Ela sempre nos reencontrarmos, se pedirmos perdão; sempre recomeçarmos. É mergulhando-nos n’Ela que nos amaremos, e, assim, Jesus partilhará a nossa vida e a vida d’Ele.
Pe. Antonello Cadeddu



